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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

XXII



Quem disse que "amar é sofrer", jamais amou.
O beijo do ar da madrugada desperta a vida que dorme.
O sorriso da lua engrinaldada de estrelas diminui as sombras.
A caricia do sol vitaliza todas as coisas.
E a chuva que lava a terra, e reverdece o chão, e abençoa
 o mundo, correndo no rio, esvoaçando na nuvem esgarçada, são
as tuas expressões de amor, Construtor real, demonstrando o teu
poder, a tua grandeza e a minha pequenez.
Quem ama, sempre doa, e não sofre porque ama.
O amor é luz e pão, é ar e paz.
Quem diz que amor é sofrer ainda está esperando pelo amor e jamais amou.


Divaldo Franco
Pelo espírito de Rabindranath  Tagore
de Estesia
arte Amanda Cass


segunda-feira, 18 de outubro de 2021



Se a provação te alcança,
Contempla a Natureza, alma querida e boa,
E encontrarás, na Terra, em toda parte,
O lar de luz que nos aperfeiçoa.


Dores? Dizes que as dores lembram trevas
Compelindo-te o sonho a persistir de rastros...
Fita o império da noite desvendando
A floresta dos astros.


Renúncia? Há quem afirme que a renúncia
É carga improdutiva para o amor...
Olha o brilhante arrebatado à pedra,
Esbanjando esplendor.


Sofrimento? Assevera a rebeldia
Que todo o sofrimento é processo infecundo,
Mas a fonte filtrada entre os punhais da rocha
Acrescenta o conforto e a beleza do mundo.


Crises? Lembra o fragor da tempestade...
O campo grita ao furação violento...
Depois, fez-se violino entre mãos hábeis
Interpretando a música sublime.


Sacrifício? Medita entre o tronco
A tombar sem apoio a que se arrime...
Depois, fez-se violino entre mãos hábeis
Interpretando a música sublime


Morte? Se crês que a morte é o fim de tudo,
Qual abismo escavando abismos agressores,
Fita a semente nua a renascer do solo
Para ser planta nova e esmaltar-se de flores...


Escuta alma querida! A vida é sempre amor
Do mais nobre caminho aos mais plebeus
E a presença da dor, em qualquer parte,
É uma benção de Deus.


Maria Dolores
de A Terra e o Semeador
Psicografado por Chico Xavier
arte Igor Levashov

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

O BOM LIVRO



O livro edificante é sementeira da Luz Divina,
aclarando o passado,
orientando o presente
e preparando o futuro...

Instrutor do espírito - esclarece sem exigências,
Médico da alma - cura sem ruído,
Sacerdote do coração - consola sem ritos exteriores.

Amigo vigilante - ampara em silêncio,
Companheiro devotado -jamais abandona,
Cooperador eficiente - não pede compensações.

Semeador do infinito - fecunda os sentimentos,
Benfeitor infatigável - jorra bênçãos de paz,
Campo benfazejo - prepara a vida eterna.

Lâmpada fulgurante - brilha sem ofuscar,
Árvore compassiva - frutifica sem condições,
Celeiro farto - supre sem perder


André Luiz
In Relicário de Luz
Psicografado por Francisco Cândido Xavier
arte Anne Bascove


terça-feira, 29 de julho de 2014

LV


 

Ouve,  alma da Natureza, a minha canção.
Levanto a voz e os meus sentimentos louvam a magia da
 vida com musicalidade amena e doce. 
As notas melódicas da minha alma transformada em harpa
viva, compõem uma sinfonia que perpassa pelo ar, exaltando
 a poesia que estava adormecida no meu ser.
Durante o canto que se alteia e se modula, espalhando festa,
 meus ouvidos se deleitam com a alma da Natureza que agradece.
A brisa perpassa, ligeira, voluteando, e uma suave melodia
baila no leve ar; a música do córrego, em ritmado rumorejo,
enuncia uma agradável balada; a cachoeira despedaça cristais de
líquida espuma, no atrito das pedras lisas e é uma romanesca; a
terra se arrebenta em flores e estas desatam perfume em delicioso
cantochão...
Eu silencio o meu canto e ouço...
Oh! alma da Natureza!
Atrever-me a cantar para ti, quando, criatura de Deus colocada
no teu manancial de bênçãos, sou, também, parte da tua
harmonia!  
Ensina-me, então, a viver o amor, que é a canção mais
expressiva que de ti se exterioriza.   
Faço silêncio no coração para ouvir-te, alma da Natureza,
e, um mutismo de amor e veneração, descubro que também
 estou cantando. 
 
Divaldo Franco pelo espírito
de Rabindranath Tagore
In Estesia
arte Charles Daniel Ward (British,1872-1935), "The Progress of Spring", 1905

segunda-feira, 28 de julho de 2014

REALIDADE DISTANTE



 

Sonhei que sonhava...
Tudo era, então, risonho e doce encantamento, onde a dor e o sofrimento, a tristeza e a maldade se diluíam, quais bolas de sabão ao sabor do vento, em primavera cantarolante.
Os rios encachoeirados douravam-se sob os raios de permanente luz e os homens, em bandos gárrulos, exaltavam o amor.
Havia, em toda parte, a fraternidade sem suspeita e o serviço sem remuneração.
A poesia do bem recitava os versos de enternecimento com que as criaturas melhor se entendiam e completavam.
Recordei-me da guerra e do ódio, das pestes e dos suplícios, mas ninguém me pôde responder, quando interroguei os felizes habitantes desse paraíso.
Todos eram jovens e sábios com a idade dos tempos vencidos, além dos tempos a vencer...
Nem sombra ou mácula encontrei em parte alguma e dei-me conta de que as claridades que fulguravam em todo lugar nasciam em toda parte, sem extinguir-se em noite de triunfo mentiroso.
Sonhei que sonhava com o porvir, quando o Carro do Rei da Juventude e da Paz rasgará a estrada do infinito no rumo do sem-fim.
Amado Rei, por quem anelo, sempre sonhei contigo, porém hoje sonhei que sonhava.
... A Realidade chegou e despertou-me, dizendo-me, em canção de esperança: ama  e aguarda! Amanhã já não sonharás, porque o teu sonho já  não será.
 
Divaldo Franco pelo espírito
de Rabindranath Tagore
In Estesia

domingo, 27 de julho de 2014

XXVIII




O perfume de lírios e jasmins que corria nos braços do vento, não era somente a oferenda da primavera.
O cheiro da terra úmida esvoaçando do chão era mais do que a doação da madrugada.
O aroma delicado  do lótus, viajando nas mãos do ar que o recolheu, expressa o poema da natureza e mais do que isso.
Há um oceano de essências divinas perpassando por toda parte e inundando de alegria os animais e os homens , as plantas e a brisa que os absorvem em festa.
Todos experimentamos uma satisfação incomparável ao receber esse perfume, esse alento, hálito do teu amor que espalhas  no mundo para a vida que não perece.
 
Divaldo Franco pelo espírito
de Rabindranath Tagore
In Estesia
 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O COMPANHEIRO




"Não devias tu igualmente ter compaixão
do teu companheiro,
como eu também tive misericórdia de ti?"

 Jesus. (Mateus 18:33.)


"Em qualquer parte, não pode
o homem agir, isoladamente,
em se tratando da obra de Deus,
que se aperfeiçoa em todos os lugares.

O Pai estabeleceu a cooperação
como principio dos mais nobres,
no centro das leis que regem a vida.

No recanto mais humilde,
encontrarás um companheiro de esforço.
Em casa, ele pode chamar-se "pai" ou "filho"; no caminho, pode denominar-se
"Amigo" ou "camarada" de ideal".

No fundo, há um só Pai que é Deus
e uma grande família
que se compõe de irmãos.

Se o Eterno encaminhou ao
teu ambiente um companheiro
menos desejável, tem compaixão
e ensina sempre.

Eleva os que te rodeiam.
Santifica os laços que Jesus promoveu
a bem de tua alma e de todos
os que te cercam.

Se a tarefa apresenta obstáculos,
lembra-te das inúmeras vezes
em que o Cristo já aplicou misericórdia
ao teu espírito.
Isso atenua as sombras do coração.

Observa em cada companheiro de luta
ou do dia uma bênção e uma oportunidade
de atender ao programa divino,
acerca de tua existência.

Há dificuldades e percalços,
incompreensões e desentendimentos?

Usa a misericórdia que Jesus usou contigo,
dando-te nova ocasião
de santificar e de aprender.


In "Caminho, Verdade e Vida",
Pelo Espírito Emmanuel; psicografia de
Francisco Cândido Xavier
The Vision Legend of the 14th Century 1872