domingo, 10 de abril de 2011

SIDARTA GAUTAMA - O BUDA




Sidarta nasceu no ano de 560 aC e era filho de um rei do povo Sakhya que habitava a região da fronteira entre a Índia e o Nepal. Buda viveu durante o período áureo dos filósofos e um dos períodos espirituais mais incríveis da história; foi contemporâneo de Heráclito, Pitágoras, Zoroastro, Jain Mahavira e Lao-Tsé.

No palácio, a vida de Gautama era cercada de conforto e paz. Casou e teve um filho, mas vivia totalmente protegido de contato com o exterior, por ordem de seu pai. Uma tarde, fugindo dos portões do palácio, o jovem Gautama viu 3 coisas que iriam mudar sua vida: um ancião que, encurvado, não conseguia andar e se apoiava num bastão, um homem que agonizava em terríveis dores devido a uma doença interna, um cadáver envolvido num sudário de linho branco. Essas 3 visões o puseram em contato com a velhice, a doença e a morte, conhecidas como “as três marcas da impermanência", e o deixaram profundamente abalado. Voltando para o palácio, ele teve a quarta visão: um Sadhu, um eremita errante cujo rosto irradiava paz profunda e dignidade, que impressionou Gautama a tal ponto que ele decidiu renunciar à sua vida de comodidade e dedicar o resto de sua vida à busca da verdade.

Abandonando o palácio, ele seguiu de início a senda do ascetismo, jejuando até que se convenceu da inutilidade destas práticas, e continuou sua busca. Durante 7 anos esteve estudando com os filósofos da região e continuava insatisfeito. Por fim, em uma de suas viagens, chegou a Bodh Gaya, onde encontrou uma enorme figueira e tomou a resolução de não sair de lá até ter alcançado a iluminação. Durante 49 dias ele permaneceu sentado à sobra da figueira, em profunda meditação, transcendendo todos os estágios da mente até atingir a Iluminação, um estado chamado nirvana. Desde então foi chamado de Buda (o que despertou) ou Shakyamuni (o sábio dos shakyas). Seus ensinamentos nascidos dessas experiência são conhecidos como o Caminho do Meio, ou simplesmente o dharma (a lei). Do momento em que atingiu o nirvana, aos 35 anos de idade, até sua morte, aos 80, Buda viajou ininterruptamente por toda a Índia, ensinando e fundando comunidades monásticas.

Buda ensinou o dharma a todos, sem distinção de sexo, idade ou casta social, em seu próprio idioma, um dialeto do nordeste da Índia, evitando o sânscrito empregado pelos hinduístas e eruditos, que era um símbolo de uma casta que não significava sabedoria, pois os brâmanes tinham cargos hereditários. Costumava recomendar a seus discípulos que ensinassem em suas próprias línguas, de forma que a doutrina foi ficando conhecida em vários países.

Suas últimas palavras foram: “A decadência é inerente a todas as coisas compostas. Vivei fazendo de vós mesmos a vossa ilha, convertendo-vos no vosso refúgio. Trabalhai com diligência para alcançar a vossa Iluminação”.

In http://www.brazilsite.com.br/religiao/budismo/bud02.htm
tela de S Hassall



"Nossa existência é transitória como as nuvens do outono. Observar o nascimento e a morte dos seres é como olhar os momentos da dança. A duração da vida é como o brilho de um relâmpago no céu, tal como uma torrente que se precipita montanha abaixo."


"Tudo o que nasceu vai morrer, tudo o que foi reunido será espalhado, tudo o que foi acumulado terá fim, tudo o que foi construído será derrubado, e o que esteve nas alturas será rebaixado."
Sidarta Gautama
In http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/





NACOS DE NUVENS




No céu flutuavam trapos
De nuvem – quatro farrapos:

do primeiro ao terceiro – gente
o quarto - um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto,
No caminho junta-se um quinto.

Do seio azul do céu, pé-ante
-pé, se desgarra um elefante.

Um sexto salta – parece.
Susto: o grupo desaparece.

Em em seu rosto agora se estafa
O sol – amarela girafa.

Vladimir Maiakovski
                                                                   tela de Jack Saylor

terça-feira, 5 de abril de 2011

A ESTRELA




Gatinho, meu amigo,
fazes ideia do que seja uma estrela?

Dizem que todo este imenso planeta
coberto de oceanos e montanhas
é menos que um grão de poeira
se comparado a uma delas.

Estrelas são explosões nucleares em cadeia
numa sucessão que dura bilhões de anos

O mesmo que a eternidade

Não obstante, Gatinho, confesso
que pouco me importa
quanto dura uma estrela

Importa-me quanto duras tu,
querido amigo,
e esses teus olhos azul-safira
com que me fitas

Ferreira Gullar
In Boa Companhia - Poesia
foto por Supermunchie

domingo, 3 de abril de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ANGELUS























Angelus que requieto entre palmeiras
que gentil olha pessoas sós meditam,
tão suavemente brisa que trespassa,
dando contornos céus dos horizontes.

Seu grito pasce cantos sós cantigas,
dos anelosos breus casarios da noite,
dos corações de suaves das canções,
ramo gentil palmeira abre barroco.

Doce canção se toa dentre passantes,
em seus tons abrigar nos dos gorjeios,
nuvem pascida entregue de suas águas.

No desvão, serra abriga os cantos látegos
que sua retina pedra traduz águas,
trilha destino à terra ruge pássaros.

Eric Ponty
In http://ericponty.blogspot.com/search?updated-max
tela de Parmigianino Francesco Mazzola

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

MENINO DE ESTILINGUE























Menino, por que fazer parar
o voo de um pássaro no céu?
não sabes que eles trazem
notícias de um outro mar?

Menino, por que fazer parar
o voo de um pássaro no céu?
Matar aquilo que está movendo
é coisa de gente assanhada.

Menino, por que fazer parar
o voo de um pássaro no céu?
é inveja por não teres asas
por estares preso ao chão?

Menino, por que fazer parar
o voo de um pássaro no céu?
Asas brancas são a paz,
trazem no bico o raminho
da cama do Menino Jesus.

Eric Ponty
In Menino Retirante vai ao circo de Brodowski
tela de Candido Portinari

AULA DE POESIA

Não, antes de técnica, é necessário olhar. Antes de métrica, é necessário paciência. Para reduzir a poesia em argumentos do poeta, isso tudo é necessário para a estética das escolas literárias, mas a poesia é feita muito mais do que de letras, é feita de coisas primárias, basta você ascender a miragem para uma imagem, transformar a matéria engraçada em coisa séria, fazer com que a pedra vire flor, e não ao contrário, para que não se dê ao mundo outras possibilidades de arremesso.

Iniciemos com as cores vivas. E multipliquemos as luzes do dia em todos os cantos. Façamo-nos impressionistas, captando a mesma imagem com diferentes olhos. Devemos abdicar da vaidade para escrever o verso perfeito, pois este nunca sairá, ao menos a quem escreve. Porque depois de lapidado o verso, ele deixa de ser o que era, e passa ser não o que a imaginação queria, mas o que a convenção de cada época oprime: em décadas passadas a rima, na contemporaneidade, o espanto.

Que passamos a olhar o simples antes de escrever difícil; não transformar tanto o objetivo em subjetivo, senão a poesia torna-se só de um dentro do entendimento, e poesia de um não é poesia; se o que faz o poeta é compartilhar sensações então porque escrever para si mesmo?

Então escrevemos: amor de sexta-feira; saudade das amendoeiras do jardim de infância; voo de pandorga ou pipa e depois sair correndo antes da chuva; observação da lua em quatro fases distintas e se enganar sempre qual é a cheia e qual a nova; pele tostando ao sol com suor correndo em câmera lenta como nas propagandas de refrigerante; boca seca de nervosismo antes de apresentar nosso projeto, ou melhor ainda, antes de ler uma carta; pedido de perdão às 23 horas em dias 31 de dezembro; passeio pela mesma rua reparando coisas imperceptíveis; passeio por uma nova rua com olhos de última vez, nunca de primeira; atravessar correndo entre os carros para encontrar com alguém na outra avenida que de costas não lhe vê; cantarolar uma música que lhe permita permanecer em silêncio; dormir em dois numa cama estreita para sentir o necessário peso de cada braço; medir o abraço, se assim for possível, no momento depois da espera, aquele do primeiro encontro e ficar com essa imagem para sempre; separar os melhores temperos, em algumas vezes em detrimento dos seus preferidos, para fazer sua receita; não colocar pontos finais, mas preferir vírgulas...as vírgulas lhe dão outra possibilidade, além da respiração.

Nas minhas andanças a contar e ouvir histórias pelas escolas e lugares a que sou chamado, tenho recebido muitas aulas de poesia, e encontrado poetas bem melhores que eu. Poderia citar alguns, desconhecidos, mas tão necessários pro mundo, que é uma pena não serem globalizados. Seja na perseverança da dona Maria de Lurdes, com sua biblioteca comunitária; seja na luminosidade de meu amigo Osias e no que ele tem de crença no que há de bom no humano; seja na técnica ferrenha de Rubens da Cunha; seja na generosidade de Edson de Araújo; também nos ouvidos atentos do búlgaro Peter, do Ancionato Bethesda; além da amizade sincera de Rivelino Stuckel; da eternidade que Jurandir Albano me oferece; da dedicação que meu amigo Gilberto Ferreira me presenteia; e dos poemas, grandes de amor, de Patricia Hoffmann.

Recebo alguns e-mails de leitores me perguntando por que costumo citar tanta gente. Eu lhes respondo amigos leitores; é que, pra mim, a gratidão é a primeira matéria de minha aula de poesia.

M.de Silva e Silva
Crônica retirada do Jornal A Notícia de 22.10.2010

tela de Candido Portinari

domingo, 17 de outubro de 2010

JOINVILLE : MEMÓRIA DO RIO























Cachoeira,cachoeiro:
que nome te convém?

Se mergulho no tempo,
me abres a arca dos bens
que não tens agora:
os peixes indo e vindo
sob a flâmula das margens.

Se te olho de soslaio,
é a cidade que se abre
de um lado e outro lado,
derramando sobre ti
a sede das fornalhas
e outras sedes incuráveis.

Cachoeira, cachoeiro?
Me divirto em meio aos rumos
da memória: para trás,
a história sempre grávida;
para frente, o mar
desarvorado, que tudo engole
em seu afã diário.

Feminino e masculino,
me dou por satisfeito
em ver nos dois sentidos: este
em que nos vemos todos,
jamais o mesmo.

Alcides Buss
In Olhar a Vida
foto retirada de www.ovizinho.com.br/jor08/j0565701.htm

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

CRIATIVIDADE























Onde aprendi
a quebrar linhas,
a fazer esse troço
controverso
chamado verso?
Se na escola,
toda frase era inteira,
da maiúscula
ao ponto final,
exclamações de advertência,
orientadoras com reticências,
e tudo era interrogação?
Interrogatório,
fila para entrar
de uniforme,
mostrar a meia vermelha.
Se de outra cor,
Meia-volta,
volver.
Cantar o hino,
eu te amo, meu Brasil,
este é um país que vai pra frente,
sesquicentenário da independência,
um menino,
batendo continência.
Mas no livro Criatividade,
Bandeira,
Vinícius,
Quintana,
Cecília,
Drummond.
E eu,
que nem era leitor,
decidi
ser escritor.
Desses que quebram a linha reta,
poeta.

Ricardo Silvestrin
Ella Grainger's Rime - Tile Designs


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SONETO






















Era Sol-Posto, a paz que ali reinava
o coração de mágoa envelhecia
e a luz crepuscular já declinava
numa sentimental melancolia!

Parecia do céu, que exilava
descer chorando aos mundos da agonia
e a essência da sua alma ali morava
como doce, perdida nostalgia...

E foi, assim na vida se extinguindo,
como a pálida chama que amortece
aquele olhar crepuscular fugindo!...

Pra que eu ficasse amando  da Saudade
a Branquidão da paz de toda Aldeia,
quando eu tornar à minha Soledade!

Ernani Rosa
16/04/1912
tela  by Gerd Weissing

...




"Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estarei ajudando meus filhos a ser sérios, justos e amorosos da vida e dos outros."

"Ninguém sabe tudo, assim como ninguém ignora tudo. O saber começa com a consciência do saber pouco (enquanto alguém atua). É sabendo que se sabe pouco que uma pessoa se prepara para saber mais...O homem, como um ser histórico, inserido num permanente movimento de procura, faz e refaz constantemente o seu saber."

Paulo Freire
by blogger  autocultura