sexta-feira, 29 de outubro de 2021

POR QUE OS SENSITIVOS SE SENTEM MAL PERTO DE ALGUMAS PESSOAS?

  


    Os sensitivos são seres humanos que possuem sensibilidade emocional aumentada. Esse conceito foi apontado pela psicóloga Dra. Elaine Aron em 1991, que apontou, através de estudos, que entre 15% e 20% da população mundial possui esse tipo de sensibilidade mais aflorada porque os seus cérebros processam informações sensoriais de forma diferente e por isso possuem habilidades e emoções expressas de maneira mais intensas que os demais. Os sensitivos – também chamados de empáticos – são portanto mais sensíveis a emoções, comportamentos e energias de pessoas e lugares. A presença de algumas pessoas ou a entrada em lugares específicos podem fazer com que um empático se sinta mal. Entenda mais sobre isso.

Sensibilidade aflorada: o que ela pode causar

    Normalmente, quem é considerado um sensitivo considera isso como uma qualidade, uma habilidade positiva. São normalmente excelentes ouvintes, pessoas caridosas com muita clareza de pensamento, conhecidos por darem bons conselhos. Mas devido à sua sensibilidade emocional aumentada eles são muito influenciáveis pelo ambiente ou por pessoas, são capazes de detectar energias carregadas que estão impregnadas no lugar, detectam mais facilmente comportamentos falsos e não conseguem lidar com pessoas pretensiosas e/ou mentirosas.

Comportamentos e situações em que um sensitivo se sente mal

   Todo mundo pode ser capaz de identificar sinais de falsidade no discurso humano, os empatas possuem maior facilidade devido à sua extrema sensibilidade. Lidar com alguém hipócrita ou falso pode ser tolerável para pessoas comuns, mesmo que eles saibam dessa característica da pessoa, para os sensitivos, isso é praticamente uma tortura, um desconforto intenso. Sentem-se cansados, sentem que sua energia foi drenada, sentem-se frustrados, muitas vezes ficam com as mãos úmidas, com o coração disparado e o bocejo é uma reação muito frequente.

   Veja abaixo algumas situações que fazem com que um sensitivo se sinta mal:

Falsos elogios – eles detectam logo a falsidade e mal conseguem disfarçar a sua decepção;

Pessoas que aumentam suas vitórias para ganhar aprovação e reconhecimentos dos outros;

Pessoas que renunciam à sua personalidade ou tentam ser aquilo que não são para se sentirem por cima;

Falsas delicadezas com intenção de receber algo em troca;

Pessoas que estimulam a inveja e o ressentimento;


Quem age de forma dura e insensível para ocultar dos outros a própria dor ou sensibilidade.

Reações comuns dos sensitivos nessas situações:

Muitas vezes os sensitivos nem conseguem explicar o porquê de está se sentindo mal e o que está causando isso nele. Alguns deles conseguem identificar o foco, mas outros só conseguem pensar em se afastar do ambiente e das pessoas que ali estão, e normalmente ouvem: “O que aconteceu? O que ele(a) te fez de mal?” sem saber explicar exatamente o porquê. Ficam nervosos, tensos e têm dificuldades de formar frases com clareza, o que em situações normais eles têm muita facilidade. Se o sensitivo precisa estar em um ambiente ou perto de alguém que lhe faz mal, ao se afastar ele se sente enjoado, tonto, podendo inclusive ter ânsia de vômito. Ficam muito calados, sem querer continuar a conversa. Muitas vezes, ao se afastar da pessoa ou do ambiente sentem um inexplicável sentimento de culpa.

Texto de Ana Luíza Fernandes – extraído de We Mystic – Com atualização das pesquisas por Portal Raízes
arte Bill Inman

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

A ORAÇÃO



Hoje vou escrever sobre a arte de rezar. Dirão que esse não é tópico que devesse ser tratado por um terapeuta. Rezas e orações são coisas de padres, pastores e gurus religiosos, a serem ensinadas em igrejas, mosteiros e terreiros. Acontece que eu sei que o que as pessoas desejam, ao procurar a terapia, é reaprender a esquecida arte de rezar. Claro que elas não sabem disto. Falam sobre outras coisas, dez mil coisas. Não sabem que a alma deseja uma só coisa, cujo nome esquecemos. Como disse T. S. Eliot, temos conhecimento do movimento, mas não da tranquilidade; conhecimento das palavras e ignorância da Palavra. Todo o nosso conhecimento nos leva para mais perto da nossa ignorância, e toda a nossa ignorância nos leva para mais perto da morte.

A terapia é a busca desse nome esquecido. E quando ele é lembrado e é pronunciado com toda a paixão do corpo e da alma, a esse ato se dá o nome de poesia. A esse ato se pode dar também o nome de oração.

Por detrás da nossa tagarelice (falamos muito e escutamos pouco) está escondido o desejo de orar. Muitas palavras são ditas porque ainda não encontramos a única palavra que importa. Eu gostaria de demonstrar isso – e a demonstração começa com um passeio. Para começar, abra bem os olhos! Veja como este mundo é luminoso e belo! Tão bonito que Nietzsche até mesmo lhe compôs um poema:

“Olhei para este mundo – e era como se uma maçã redonda se oferecesse à minha mão, madura dourada maçã de pele de veludo fresco… Como se mãos delicadas me trouxessem um santuário, santuário aberto para o deleite de olhos tímidos e adorantes: assim este mundo hoje a mim se ofereceu…“

Tudo está bem. Tudo está em ordem. Nada impede o deleite dessa dádiva. Ninguém doente. Nenhuma privação econômica terrível. E há mesmo o gostar das pessoas com quem se vive, sem o que a vida teria um gosto amargo.

Mas isso não é tudo. Além das necessidades vitais básicas a alma precisa de beleza. E a beleza – o mundo a serve a mancheias. Está em todos os lugares, na lua, na rua, nas constelações, nas estações, no mar, no ar, nos rios, nas cachoeiras, na chuva, no cheiro das ervas, na luz que cintila na água crespa das lagoas, nos jardins, nos rostos, nas vozes, nos gestos.

Além da beleza estão os prazeres que moram nos olhos, nos ouvidos, no nariz, na boca, na pele. Como no último dia da criação, temos de concordar com o Criador: olhando para o que tinha sido feito, viu que tudo era multo bom.

E, no entanto, sem que haja qualquer explicação para esse fato, tendo todas as coisas, a alma continua vazia. Álvaro de Campos colocou este sentimento num poema:

“Dá-me lírios, lírios, e rosas também. Crisântemos, dálias, violetas e os girassóis acima de todas as flores. Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante, Faltar-me-á sempre qualquer coisa. Minha dor é inútil como uma gaiola numa terra onde não há aves. E minha dor é silenciosa e triste como a parte da praia onde o mar não chega.“

Como se uma nuvem cinzenta de tristeza-tédio cobrisse todas as coisas. A vida pesa. Caminha-se com dificuldade. O corpo se arrasta. As pessoas procuram a terapia alegando faltar um lírio aqui, uma rosa ali, um crisântemo acolá. Buscam, nessas coisas, a única coisa que importa: a alegria. Acontece que as fontes da alegria não são encontradas no mundo de fora. É inútil que me sejam dadas todas as flores do mundo: as fontes da alegria se encontram no mundo de dentro.

O mundo de dentro: as pessoas religiosas lhe dão o nome de alma. O que é a alma? Alma são as paisagens que existem dentro do nosso corpo. Nosso corpo é urna fronteira entre as paisagens de fora e as paisagens de dentro. E elas são diferentes “O homem tem dois olhos“, disse o místico medieval Angelus Silésius. “Com um ele vê as coisas que passam no tempo. Com o outro ele vê o que é eterno e divino.“ Em algum lugar escondido das paisagens da alma se encontram as fontes da alegria – perdidas. Perdidas as fontes da alegria as paisagens da alma se apagam, o corpo fica como uma casa vazia. E quando a casa está vazia, vai-se a alegria. E as paisagens de fora ficam feias (a despeito de serem belas).

O mundo de fora é um mercado onde pássaros engaiolados são vendidos e comprados. As pessoas pensam que, se comprarem o pássaro certo, terão alegria. Mas pássaros engaiolados, por mais belos que sejam, não podem dar alegria. Na alma não há gaiolas.

A alegria é um pássaro que só vem quando quer. Ela é livre. O máximo que podemos fazer é quebrar todas as gaiolas e cantar uma canção de amor, na esperança de que ela nos ouça. Oração é o nome que se dá a esta canção para invocar a alegria.

Muitas orações são produtos da insensatez das pessoas. Acham que o universo estaria melhor se Deus ouvisse os seus conselhos. Pedem que Deus lhes dê pássaros engaiolados, muitos pássaros. Nisso protestantes e católicos são iguais. Tagarelam. E nem se dão ao trabalho de ouvir. Não sabem que a oração é só um gemido. “Suspiro da criatura oprimida“: haverá definição mais bonita? São palavras de Marx. Suspiro: gemido sem palavras que espera ouvir a música divina, a música que, se ouvida, nos traria a alegria.

Gosto de ler orações. Orações e poemas são a mesma coisa: palavras que se pronunciam a partir do silêncio, pedindo que o silêncio nos fale. A se acreditar em Ricardo Reis, é no silêncio que existe no intervalo das palavras que se ouve a voz de “um Ser qualquer, alheio a nós“, que nos fala. O nome do Ser? Não importa. Todos os nomes são metáforas para o Grande Mistério inominável que nos envolve. Gosto de ler orações porque elas dizem as palavras que eu gostaria de ter dito mas não consegui. As orações põem música no meu silêncio.

 Rubem Alves 
 de “Transparências da eternidade”. 
arte Vincent Van Gogh

XXII



Quem disse que "amar é sofrer", jamais amou.
O beijo do ar da madrugada desperta a vida que dorme.
O sorriso da lua engrinaldada de estrelas diminui as sombras.
A caricia do sol vitaliza todas as coisas.
E a chuva que lava a terra, e reverdece o chão, e abençoa
 o mundo, correndo no rio, esvoaçando na nuvem esgarçada, são
as tuas expressões de amor, Construtor real, demonstrando o teu
poder, a tua grandeza e a minha pequenez.
Quem ama, sempre doa, e não sofre porque ama.
O amor é luz e pão, é ar e paz.
Quem diz que amor é sofrer ainda está esperando pelo amor e jamais amou.


Divaldo Franco
Pelo espírito de Rabindranath  Tagore
de Estesia
arte Amanda Cass


TERRA - BENÇÃO DIVINA

 

Não amaldiçoes o mundo que te acolhe.
Nele encontras a Bênção Divina, envolvente e incessante, nas bênçãos que te rodeiam.
O regaço materno…
O refúgio do corpo…
O calor do berço…
O conforto do lar…
O privilégio da oração…
O apoio do alfabeto…
A luz do conhecimento…
A alegria do trabalho…
A riqueza da experiência…
O amparo das afeições…
Do mundo recebes o pão que te alimenta e o fio que te veste.
No mundo respiraram os heróis de teu ideal, os santos de tua fé, os apóstolos de tua
inspiração e as inteligências que te traçaram roteiro.
O Criador não no-la ofertou por exílio ou prisão, mas por escola regenerativa e abrigo
santo, qual divino jardim a pleno céu, esmaltado de sol, durante o dia, e envolvido de
estrelas, durante a noite.
Se algo nele existe que o tisna de lágrimas e empesta de inquietação, é a dor de nossos
erros…
Não te faças, assim, causa do mal no mundo, que, em todas as expressões essenciais,
consubstancia o Bem Maior em si mesmo.
Lembra-te de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”


Palavras de Vida Eterna
Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Pelo espírito de Emmanuel
arte Geraldine Arata - Gaya

NA GRANDE RAMAGEM

 


“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia”.- Paulo (Hebreus, 11:8.)

Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, como Abraão, à sublime herança que lhe é destinada.
A conscrição atinge a todos.
O grande patriarca hebreu saiu sem saber para onde ia...
E nós, por nossa vez, devemos erguer o coração, e partir igualmente.
Ignoramos as estações de contacto na romagem enorme, mas estamos informados que o nosso objetivo é Cristo Jesus.
Quantas vezes somos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia? Quantas vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão? Quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito? Quantas nuvens estarão interpostas, entre nosso pensamento e o Céu em largos trechos da senda?
Insolúvel a resposta.
Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.
Hoje, é o suor intensivo; amanhã, é a responsabilidade; depois é o sofrimento e, em seguida, é a solidão...
Ainda assim, é indispensável seguir sem desânimo.
Quando não seja possível avançar dois passos por dia, desloquemo-nos para diante, pelo menos alguns milímetros...
Abre-se a vanguarda em horizontes novos de entendimento e bondade, iluminação espiritual e progresso na virtude.
Subamos, sem repouso, pela montanha escarpada:
Vencendo desertos...
Superando dificuldades...
Varando nevoeiros...
Eliminando obstáculos...
Abraão obedeceu, sem saber para onde ia, e encontrou a realização da sua felicidade.
Obedeçamos, por nossa vez, conscientes de nossa destinação, e convictos de que o Senhor nos espera, além da nossa cruz, nos cimos resplandecentes da eterna ressurreição.


Do Livro: Fonte Viva
Psicografado por Francisco C. Xavier
pelo Espírito Emmanuel
arte Abbott Fuller Graves

PRECE PARA TODO DIA

 

Senhor, concede-me a consciência dos meus muitos erros.
Não me consintas viver iludido a meu próprio respeito.
Que eu tenha suficiente lucidez para saber quem sou.
Que eu consiga, mais que os outros detectar as fragilidades que me são comuns.
Dá-me a Tua força para que eu possa superar-me, a Tua luz para não caminhar nas trevas, a Tua, a Tua paz na luta que me aflige.
Que eu seja sempre sincero em meus propósitos e humilde em minhas atitudes, verdadeiro em minhas palavras e fiel aos meus compromissos.
Senhor, não me deixes entregue à invigilância e ao assédio do mal.
Sê meu abrigo e a minha inspiração!...
Assim seja.


 Do Livro: Vigiai e Orai
Psicografia de Carlos A. Baccelli,
 pelo Espírito Irmão José.
arte Charles Courtney Curran

sexta-feira, 22 de outubro de 2021


Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. A porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei ”Sete Sapatos Sujos” que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos, mas eu tinha que escolher, o sete, é um número mágico:

Primeiro sapato: A ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas;

Segundo sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;

Terceiro sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo;

Quarto sapato: A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;

Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;

Sexto sapato: A passividade perante a injustiça;

Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros"

Mia Couto
arte Christiam schloe

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

HISTORINHA VERDE


Quando Deus criou o mar,
estava de bom humor.
Inventou um ioiô
que nunca parasse de ir e voltar.
Chegou então o homem
para usar a novidade.
Não é que o desastrado
se enrola com tal capacidade,
que suja, torce o fio e perde a bola.
Assustado, tenta um arranjo
com o arcanjo encarregado,
que argumenta:
"você que é tão eclético,
já fez até a lua deflorada,
não requer a nossa ajuda para nada.
Inventa agora um  mar sintético.
Para torná-lo ainda mais real,
nada mais natural do que uma ilha
com um belo farol para ofuscar.
Se o conjunto porém desagradar,
abra a tampa, corte a onda, tire a pilha"

Flora Figueiredo
de Amor a Céu Aberto
arte Benjamin Lacombe

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

L. Anderson: Forgotten Dreams - Gimnazija Kranj Symphony Orchestra


Arte Claude Sauzet



Se a provação te alcança,
Contempla a Natureza, alma querida e boa,
E encontrarás, na Terra, em toda parte,
O lar de luz que nos aperfeiçoa.


Dores? Dizes que as dores lembram trevas
Compelindo-te o sonho a persistir de rastros...
Fita o império da noite desvendando
A floresta dos astros.


Renúncia? Há quem afirme que a renúncia
É carga improdutiva para o amor...
Olha o brilhante arrebatado à pedra,
Esbanjando esplendor.


Sofrimento? Assevera a rebeldia
Que todo o sofrimento é processo infecundo,
Mas a fonte filtrada entre os punhais da rocha
Acrescenta o conforto e a beleza do mundo.


Crises? Lembra o fragor da tempestade...
O campo grita ao furação violento...
Depois, fez-se violino entre mãos hábeis
Interpretando a música sublime.


Sacrifício? Medita entre o tronco
A tombar sem apoio a que se arrime...
Depois, fez-se violino entre mãos hábeis
Interpretando a música sublime


Morte? Se crês que a morte é o fim de tudo,
Qual abismo escavando abismos agressores,
Fita a semente nua a renascer do solo
Para ser planta nova e esmaltar-se de flores...


Escuta alma querida! A vida é sempre amor
Do mais nobre caminho aos mais plebeus
E a presença da dor, em qualquer parte,
É uma benção de Deus.


Maria Dolores
de A Terra e o Semeador
Psicografado por Chico Xavier
arte Igor Levashov

A MISSÃO DA ARTE



A Arte é das mais profundas formas de expressão que o
Espírito pode encontrar sobre a Terra.


Quando penetrada por ideais de excelência, cabe à Arte o labor
de cooperar no desenvolvimento da estesia nas criaturas
de Deus.

Assim, o artista é alguém dotado dessas sutis percepções,
tendo possibilidades, muitas vezes, de captar a vibração
superior da Vida, as ondas luminosas de esferas cerúleas e apresentar
aos homens o produto da sua filtragem.

O artista imbuído da Arte que se agita nos painéis do Cosmo,
quando segue fiel aos preceitos do equilíbrio da
realização do bem, não poucas vezes se faz intérprete de fulgurantes
mensagens, depositário que se toma dos fulgores estelares.


Cooperador de Deus, cabe ao artista desenvolver
ou colaborar para que se desenvolvam nos seres humanos os
sentimentos do belo, do inefável, do indefinível.


Não é por outra causa que deparamos com artistas de níveis
variados, atendendo aos Programas da Divindade nos
patamares mais diversos pelo mundo.


Dos tambores rústicos da selva aos violinos apaixonados
de rútilos concertos, vemos a Presença de Deus.


Da expressão rupestre, esbatida, do neolítico às telas perfeitas
de Rembrandt, temos a Presença de Deus.


Do totem dos prístinos dias da tribo, às esculturas de
Miguel Angelo, na Europa, percebemos a Presença de Deus.


Das evocações do vozerio rítmico dos polinésios às mais
formidáveis sinfônicas do mundo, sentimos a Presença de
Deus, conduzindo os Seus filhos ao amadurecimento estético,
aos voos mais altos da sensibilidade, a fim de que O
compreendam, gradativamente, na fieira evolutiva.


Não podemos ignorar, contudo, que aparecem aqui e ali,
em muitos lugares, e mesmo que luxuriam em vários locais
no mundo, almas infernizadas em si mesmas, marcadas pelos instintos
rebaixadores do crime, possuidores de pulsões anímicas aberrantes,
que se mostram c omo artistas, impondo aos despreparados e incautos
as suas alucinações intimas às quais nomeiam  como arte

.
No momento em que vive a Humanidade em meio de tantas
confusões conceptuais e do gargalhar do deboche, mesmo
nas áreas onde deveria vigorar o legítimo e o são, a irrisão campeia,
a loucura toma foros de destaque e se projeta nas telas como
nas pautas, nos palcos como na literatura, enrodilhando um
incontável número de indivíduos em suas sombras.


Na hora torturante pela qual passam os homens da Terra,
encontramos grande leva de considerados artistas que,
ignorando a sua missão de contribuir c om a Obra do Criador,
enleiam- se nos fios da vaidade e ao revés de prestarem
homenagem à Vida Cósmic a por meio da sua arte, põem- se
como centros dessa arte, buscando o aplauso e a fama,
a riqueza e os fogos- fátuos que brilham por pouco tempo,
deixando trevas e amargores, lágrimas e frustrações nas almas
dos desprevenidos comerciantes da Arte.


Se identificas em tuas possibilidades a Presença do Senhor
a se fazer através de diversificada expressão artística,
eleva- te, aprimora- te, ilumina- te, conquista- te e deixa- te a ti
mesmo penetrar pelas vibrações dos seres Angélicos, que honram
a Deus, espargindo amor e saúde pelo Universo, a fim de que,
ao longo dos tempos, participes dos seus misteres.


Fazer Arte, em verdade, é louvar a Deus alcandorando os
seres da Humanidade.


Engaja-te  nesse labor e deixa brilhar, também ai, a tua luz.


Camilo
In Vozes do Infinito
Psicografado por J.Raul Teixeira
tela Michelangelo Di Lodovico Buonarroti Simoni

VI



Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabem

Alberto Caeiro
de Ficções do Interlúdio/1
arte Van Gogh