quarta-feira, 27 de outubro de 2021

NA GRANDE RAMAGEM

 


“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia”.- Paulo (Hebreus, 11:8.)

Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, como Abraão, à sublime herança que lhe é destinada.
A conscrição atinge a todos.
O grande patriarca hebreu saiu sem saber para onde ia...
E nós, por nossa vez, devemos erguer o coração, e partir igualmente.
Ignoramos as estações de contacto na romagem enorme, mas estamos informados que o nosso objetivo é Cristo Jesus.
Quantas vezes somos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia? Quantas vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão? Quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito? Quantas nuvens estarão interpostas, entre nosso pensamento e o Céu em largos trechos da senda?
Insolúvel a resposta.
Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.
Hoje, é o suor intensivo; amanhã, é a responsabilidade; depois é o sofrimento e, em seguida, é a solidão...
Ainda assim, é indispensável seguir sem desânimo.
Quando não seja possível avançar dois passos por dia, desloquemo-nos para diante, pelo menos alguns milímetros...
Abre-se a vanguarda em horizontes novos de entendimento e bondade, iluminação espiritual e progresso na virtude.
Subamos, sem repouso, pela montanha escarpada:
Vencendo desertos...
Superando dificuldades...
Varando nevoeiros...
Eliminando obstáculos...
Abraão obedeceu, sem saber para onde ia, e encontrou a realização da sua felicidade.
Obedeçamos, por nossa vez, conscientes de nossa destinação, e convictos de que o Senhor nos espera, além da nossa cruz, nos cimos resplandecentes da eterna ressurreição.


Do Livro: Fonte Viva
Psicografado por Francisco C. Xavier
pelo Espírito Emmanuel
arte Abbott Fuller Graves

PRECE PARA TODO DIA

 

Senhor, concede-me a consciência dos meus muitos erros.
Não me consintas viver iludido a meu próprio respeito.
Que eu tenha suficiente lucidez para saber quem sou.
Que eu consiga, mais que os outros detectar as fragilidades que me são comuns.
Dá-me a Tua força para que eu possa superar-me, a Tua luz para não caminhar nas trevas, a Tua, a Tua paz na luta que me aflige.
Que eu seja sempre sincero em meus propósitos e humilde em minhas atitudes, verdadeiro em minhas palavras e fiel aos meus compromissos.
Senhor, não me deixes entregue à invigilância e ao assédio do mal.
Sê meu abrigo e a minha inspiração!...
Assim seja.


 Do Livro: Vigiai e Orai
Psicografia de Carlos A. Baccelli,
 pelo Espírito Irmão José.
arte Charles Courtney Curran

sexta-feira, 22 de outubro de 2021


Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. A porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei ”Sete Sapatos Sujos” que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos, mas eu tinha que escolher, o sete, é um número mágico:

Primeiro sapato: A ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas;

Segundo sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;

Terceiro sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo;

Quarto sapato: A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;

Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;

Sexto sapato: A passividade perante a injustiça;

Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros"

Mia Couto
arte Christiam schloe

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

HISTORINHA VERDE


Quando Deus criou o mar,
estava de bom humor.
Inventou um ioiô
que nunca parasse de ir e voltar.
Chegou então o homem
para usar a novidade.
Não é que o desastrado
se enrola com tal capacidade,
que suja, torce o fio e perde a bola.
Assustado, tenta um arranjo
com o arcanjo encarregado,
que argumenta:
"você que é tão eclético,
já fez até a lua deflorada,
não requer a nossa ajuda para nada.
Inventa agora um  mar sintético.
Para torná-lo ainda mais real,
nada mais natural do que uma ilha
com um belo farol para ofuscar.
Se o conjunto porém desagradar,
abra a tampa, corte a onda, tire a pilha"

Flora Figueiredo
de Amor a Céu Aberto
arte Benjamin Lacombe

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

L. Anderson: Forgotten Dreams - Gimnazija Kranj Symphony Orchestra


Arte Claude Sauzet



Se a provação te alcança,
Contempla a Natureza, alma querida e boa,
E encontrarás, na Terra, em toda parte,
O lar de luz que nos aperfeiçoa.


Dores? Dizes que as dores lembram trevas
Compelindo-te o sonho a persistir de rastros...
Fita o império da noite desvendando
A floresta dos astros.


Renúncia? Há quem afirme que a renúncia
É carga improdutiva para o amor...
Olha o brilhante arrebatado à pedra,
Esbanjando esplendor.


Sofrimento? Assevera a rebeldia
Que todo o sofrimento é processo infecundo,
Mas a fonte filtrada entre os punhais da rocha
Acrescenta o conforto e a beleza do mundo.


Crises? Lembra o fragor da tempestade...
O campo grita ao furação violento...
Depois, fez-se violino entre mãos hábeis
Interpretando a música sublime.


Sacrifício? Medita entre o tronco
A tombar sem apoio a que se arrime...
Depois, fez-se violino entre mãos hábeis
Interpretando a música sublime


Morte? Se crês que a morte é o fim de tudo,
Qual abismo escavando abismos agressores,
Fita a semente nua a renascer do solo
Para ser planta nova e esmaltar-se de flores...


Escuta alma querida! A vida é sempre amor
Do mais nobre caminho aos mais plebeus
E a presença da dor, em qualquer parte,
É uma benção de Deus.


Maria Dolores
de A Terra e o Semeador
Psicografado por Chico Xavier
arte Igor Levashov

A MISSÃO DA ARTE



A Arte é das mais profundas formas de expressão que o
Espírito pode encontrar sobre a Terra.


Quando penetrada por ideais de excelência, cabe à Arte o labor
de cooperar no desenvolvimento da estesia nas criaturas
de Deus.

Assim, o artista é alguém dotado dessas sutis percepções,
tendo possibilidades, muitas vezes, de captar a vibração
superior da Vida, as ondas luminosas de esferas cerúleas e apresentar
aos homens o produto da sua filtragem.

O artista imbuído da Arte que se agita nos painéis do Cosmo,
quando segue fiel aos preceitos do equilíbrio da
realização do bem, não poucas vezes se faz intérprete de fulgurantes
mensagens, depositário que se toma dos fulgores estelares.


Cooperador de Deus, cabe ao artista desenvolver
ou colaborar para que se desenvolvam nos seres humanos os
sentimentos do belo, do inefável, do indefinível.


Não é por outra causa que deparamos com artistas de níveis
variados, atendendo aos Programas da Divindade nos
patamares mais diversos pelo mundo.


Dos tambores rústicos da selva aos violinos apaixonados
de rútilos concertos, vemos a Presença de Deus.


Da expressão rupestre, esbatida, do neolítico às telas perfeitas
de Rembrandt, temos a Presença de Deus.


Do totem dos prístinos dias da tribo, às esculturas de
Miguel Angelo, na Europa, percebemos a Presença de Deus.


Das evocações do vozerio rítmico dos polinésios às mais
formidáveis sinfônicas do mundo, sentimos a Presença de
Deus, conduzindo os Seus filhos ao amadurecimento estético,
aos voos mais altos da sensibilidade, a fim de que O
compreendam, gradativamente, na fieira evolutiva.


Não podemos ignorar, contudo, que aparecem aqui e ali,
em muitos lugares, e mesmo que luxuriam em vários locais
no mundo, almas infernizadas em si mesmas, marcadas pelos instintos
rebaixadores do crime, possuidores de pulsões anímicas aberrantes,
que se mostram c omo artistas, impondo aos despreparados e incautos
as suas alucinações intimas às quais nomeiam  como arte

.
No momento em que vive a Humanidade em meio de tantas
confusões conceptuais e do gargalhar do deboche, mesmo
nas áreas onde deveria vigorar o legítimo e o são, a irrisão campeia,
a loucura toma foros de destaque e se projeta nas telas como
nas pautas, nos palcos como na literatura, enrodilhando um
incontável número de indivíduos em suas sombras.


Na hora torturante pela qual passam os homens da Terra,
encontramos grande leva de considerados artistas que,
ignorando a sua missão de contribuir c om a Obra do Criador,
enleiam- se nos fios da vaidade e ao revés de prestarem
homenagem à Vida Cósmic a por meio da sua arte, põem- se
como centros dessa arte, buscando o aplauso e a fama,
a riqueza e os fogos- fátuos que brilham por pouco tempo,
deixando trevas e amargores, lágrimas e frustrações nas almas
dos desprevenidos comerciantes da Arte.


Se identificas em tuas possibilidades a Presença do Senhor
a se fazer através de diversificada expressão artística,
eleva- te, aprimora- te, ilumina- te, conquista- te e deixa- te a ti
mesmo penetrar pelas vibrações dos seres Angélicos, que honram
a Deus, espargindo amor e saúde pelo Universo, a fim de que,
ao longo dos tempos, participes dos seus misteres.


Fazer Arte, em verdade, é louvar a Deus alcandorando os
seres da Humanidade.


Engaja-te  nesse labor e deixa brilhar, também ai, a tua luz.


Camilo
In Vozes do Infinito
Psicografado por J.Raul Teixeira
tela Michelangelo Di Lodovico Buonarroti Simoni

VI



Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabem

Alberto Caeiro
de Ficções do Interlúdio/1
arte Van Gogh

domingo, 17 de outubro de 2021

V




Há metafísica bastante em não pensar em nada.
 O que penso eu do mundo?
 Sei lá o que penso do mundo!
 Se eu adoecesse pensaria nisso.

 Que ideia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
 Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do Mundo?
 Não sei.
 Para mim pensar nisso é fechar os olhos
 E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

 O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
 O único mistério é haver quem pense no mistério.
 Quem está ao sol e fecha os olhos,
 Começa a não saber o que é o sol
 E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada,
 Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas.
 A luz do sol não sabe o que faz
 E por isso não erra e é comum e boa. 

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
 A de serem verdes e copadas e de terem ramos
 E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
 A nós, que não sabemos dar por elas.
 Mas que melhor metafísica que a delas,
 Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber que o não sabem? 

"Constituição íntima das cousas"... 
"Sentido íntimo do Universo"... 
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
É incrível que se possa pensar em cousas dessas. 
É como pensar em razões e fins 
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das 
                                                                                  [ árvores
 Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

 Pensar no sentido íntimo das cousas
 É acrescentado, como pensar na saúde
 Ou levar um copo à água das fontes.
 O único sentido íntimo das cousas
 É elas não terem sentido íntimo nenhum.

 Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
 Sem dúvida que viria falar comigo
 E entraria pela minha porta dentro
 Dizendo-me, Aqui estou!

 (Isto é talvez ridículo aos ouvidos
 De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, 
Não compreende quem fala delas
 Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

 Mas se Deus é as flores e as árvores
 E os montes e sol e o luar,
 Então acredito nele,
 Então acredito nele a toda a hora,
 E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
 E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

 Mas se Deus é as árvores e as flores
 E os montes e o luar e o sol,
 Para que lhe chamo eu Deus?
 Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
 Porque, se ele se fez, para eu o ver,
 Sol e luar e flores e árvores e montes,
 Se ele me aparece como sendo árvores e montes
 E luar e sol e flores, 
É que ele quer que eu o conheça 
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

 E por isso eu obedeço-lhe,
 (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
 Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
 Como quem abre os olhos e vê,
 E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
 E amo-o sem pensar nele,
 E penso-o vendo e ouvindo,
 E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro
de Ficções do Interlúdio
arte Vincent Van Gogh

sábado, 16 de outubro de 2021

COMUNHÃO




já que me sinto muito digna
de me assentar à tua mesa,
não quero migalhas, não,
eu quero o pão inteiro.

Tu e eu, massa e fermento
em ávido silêncio:
casca e miolo,
o bolo
e o seu recheio

Vem.
Estende os lençóis sobre esta
mesa
com cheiro de suor e de
alfazema.
E vamos trabalhar a noite
e o seu levedo
com as mãos,
a boca,
o corpo aceso,
para que a aurora nos en-
tregue,
ainda quentes,
as últimas fatias de amor
amanhecente
com gosto de café, de leite
e de manteiga.

Ilka Brunhilde Laurito
Créditos Poesia Net
arte Willem Haenraets

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Christina Perri - A Thousand Years (Piano/Cello Cover)



Arte William Adolphe Bouguereau



AGUARDEMOS

 


Em qualquer circunstância, espera com paciência.
Se alguém te ofendeu, espera.
Não tomes desforço a quem já carrega a infelicidade em si mesmo.
Se alguém te prejudicou, espera.
Não precisas vingar-te de quem já se encontra assinalado pela justiça.
Se sofres, espera.
A dor é sempre aviso santificante.
Se o obstáculo te visita, espera.
O embaraço de hoje, muita vez, é benefício amanhã.
A fonte, ajudando onde passa, espera pelo rio e atinge o oceano vasto.
A árvore, incessante auxílio, espera pela flor e ganha a benção do fruto.
Todavia, a enxada que espera, imóvel, adquire a ferrugem que a desgasta.
O poço que espera, guardando águas paradas, converte a si próprio em vaso de podridão.
Sejam, pois, quais forem as tuas dificuldades, espera, fazendo em favor dos outros o melhor que puderes, a fim de que a tua esperança se erga sublime, em luminosa realização.

(Chico Xavier – Emmanuel – Palavras de Vida Eterna)
 Créditos https://espiritualistas.wordpress.com